27 de jan. de 2006

“A arte existe para que a verdade não nos destrua”.


Por que temos medo de ver as coisas como elas são?
“A arte existe para que a verdade não nos destrua”.
A arte existe para filtrar essa verdade. Pra que a verdade seja uma representação. Pra que o que há de bizarro, de assustador, de degradante – ou seja, praticamente tudo – seja também um horror representado. Pra que, cercados de ilusões, nós não possamos enxergar que. “Estar vivo, realmente vivo, é terrível.”
Artistas suicidas. Suicidas artistas.
Descobriram a verdade que a arte não pode encobrir? Descobriram que suas representações não foram capazes de esconder o terror? Descobriram que eles também eram peças do jogo? Necessários como todos os outros elementos do ecossistema?
Nessas ilusões: é preciso estar amarrado. E para quem não professa isso? Contemplativos? Mecânicos fazedores? Espectadores? Também peças do jogo necessárias ao ecossistema.
Por que se mataram? Conviver com a verdade terrível seria a morte em vida consciente? Morte consciente em vida? Porque o fio da navalha é uma questão de se estar apenas consciente. No momento em que se está, se enxerga o que supostamente era invisível: o terror?
Dormir, dormir para sempre, para sempre sonhar, fabricar sonhos. Se tentou isso em vida, na vida propriamente dita ( propriamente assim nomeada ) e não se conseguiu, quem sabe depois? É sempre um risco, e pode ser pior. Muito pior. Ou não.
Levantar, lavar o rosto, vestir o figurino e entrar em cena representar sabendo que se está fazendo isso. Morte em vida consciente. Histrionismo no cotidiano. Moto-contínuo. Descanso no sono. Mas os sonhos. Os sonhos – nosso inconsciente respira e acaba virando objeto de análise. E o terror acaba se imiscuindo, zombeteiro, sarcástico, maligno. Tornam os sonhos segredos inconfessáveis que nós acabamos debulhando em vão. Sinais que se sobrepõe noite após noite – a quantidade em constante acréscimo nubla e confunde. Isso também deve ser parte do jogo, mas como regra para manter o ecossistema em equilíbrio.
É possível, é possível viver sabendo?
Talvez estejamos – nós – na eminência disso. Por isso essa urgência – buscar rápido refúgio em alguma espécie de representação. Envolver-se no seu manto ilusório. Estar sob ele mesmo que ele também saiba ferir. Ainda assim é a alternativa para o terror lá fora. Que não se deve deixar entrar – e que se entre, deixe a cauda presa pra que a porta nunca possa fechar-se completamente.

09.09.2005

26 de jan. de 2006

Nascendo



Querida Ane,

Como tua amiga e admiradora, crio este blog para que publiques e dissemines pelos ares as idéias , os sonhos e toda imaginação que vier por aí....

Um grande beijo,

Mariana Nisemblat