13 de mai. de 2006

sábado de sol

"autopermissão para fluxo de consciência"...

a máscara pegada a cara. versos. e o sol lá fora, enquanto deveria estar dentro, o sol. sobre todas as coisas que o homem criou para se considerar eterno enquanto os cientistas, depois dos vampiros, procuram a fórmula da vida eterna. uma máscara bem gigante, põe o livro na frente que assim ajuda bastante. hoje deixa o sol ferver teus miolos, que talvez eles trabalhem mais e te façam ver pelos furos da máscara que o mundo tá tão cheio, menino, tá tão cheio de coisas e de pregos que fundamentam mais essa coisa ue se apegou mascaradamente à cara. o pior cego é aquele que não quer ver. fura os olhos da máscara e feito Édipo, sai, pra não ver mais, porque esse é o pior castigo. o olho Dele que tudo vê, narrador onisciente, mas tão pouco onipresente. opa, opa, opa, espera aí, o que estou dizendo? sol lá fora, a vida é agora, a vida é já, e se não sabe tu disso, ó menino, os milionários autores de auto-ajuda largamente te dirão.pessoa falou, pessoa avisou. sentado na sua pedra-de-sábio, com os marulhos do mar melancólico português- mar imaginário visto da janela de escritório - visionário, ele, logo ele, quis tirar a máscara. mas estava pegada a cara.
sábado de sol..............................sol, sol, sol. mar, mar, mar.lua, lua, lua. as coisas boas tem três letras?

12 de mai. de 2006

ando ( entre os dedos)



Ando inquieta, ando nervosa. Ando pelas paredes internas subindo. Decerto estou de novo existindo.
Uso sobre o corpo, com infinitos fios tramados, coisas que chamam de roupas. Que tem de ser dobradas, guardadas, usadas, lavadas ( eventualmente passadas ), estendidas, dobradas. Guardadas, usadas, e por aí, adiante, um tênue conceito de moto-contínuo
Uso entre os dedos um cilindro que chamam de cigarro. Que tem de ser aceso, tragado e exalado e incomodar os entes alheios, portanto criticado e que faz um mal incalculado.
Uso no ombro um recipiente de couro ou imitação do mesmo material ou de pano ou de vovó-crochê conforme a indicação que o estado de espírito dê que chamam de bolsa que vira um poço sem fundo onde mãos frenéticas nunca acham as chaves nos momentos mais críticos e que também serve, dizem, para carregar objetos úteis-fúteis que atestam minha identidade ( ainda ) não encontrada
Ando inquieta, ando nervosa. Ando pelas paredes internas subindo. Desconfio que estou de novo existindo.
Uso entre os dedos um negócio retangular, as vezes de capa dura, outras mole, outras bem sebo-brochura, que chamam de livro. Que tem que ser aberto, e lido, que estraga os olhos, que tem que ter significados mítico-místico-antropofísicos e que provoca dependência irremediável e gastos além do orçamento para os maníacos, enquanto oferece alegre e perversamente aos globos oculares e mentes ávidas o delicioso escapismo

Uso entre os dedos, ou, para dar a exatidão dos que dela necessitam, debaixo deles, pequenos quadrados com letras gravadas que chamam de teclado-de-computador. Que tem um ruído confortador, que formam letras flutuantes que formam palavras flutuantes numa tela iluminada ( que chama de monitor, tela-de-computador ) pra depois formar frases que por sua vez formam textos.
E
sobre todas as coisas
é este o uso – depois de muitos meses de um negócio que chamam de bloqueio-criativo
que, inquieta e nervosamente
me atesta:
com toda a certeza, é mesmo muito provável que eu estou
de novo
existindo.
( e pelas paredes internas seguirei subindo ).