Uma vez, nessas milhares de leituras da Internet, li um
texto de uma mãe que dizia que, em meio a crises de ansiedade ou mesmo
desespero, ela olhava pro filho e se focava (ainda mais, porque estamos sempre
focadas), se concentrava nele, pra voltar a realidade, pra não se perder.
E isso me lembrou, mais uma vez, do Caio F, em uma de suas
cartas “Não se enlouquece quando se tem um tanque de roupa suja pra lavar, não
se pode se dar esse luxo”. Relacionando com o que eu escrevi no primeiro
parágrafo, eu então coloco assim : “Não se enlouquece quando se tem um filho
pra criar, não se pode se dar esse luxo”.
Ainda mais quando esse filho é pequeno.
Quase enlouqueci, esses dias. Achei que as minhas lágrimas eram uma fonte
infinita, como uma barragem estourada. Achei que meu coração ia explodir, de
tanta dor – e quando digo dor, estou falando de forma literal, dor física
mesmo. Achei que minha mente seria danificada pra sempre. Achei que os
pensamentos negativos iriam me engolir pra sempre na sua escuridão imensa.
Mas está passando, aos poucos. Tomei algumas atitudes (
médico e psicóloga; oração; ajuda de irmã e amigas), e vai passando.
“Isso também passará”, um dos mantras.
E sempre, lá no fundo, como uma paisagem passando pela
janela do trem, a figura do meu filho, que vive no seu mundinho tão inocente
ainda, tão puro ainda, mundinho no qual eu sou a provedora de tantas coisas.
E se eu não estiver mais dentro desse mundinho dele que está
dentro desse mundo maior que vivemos?
Não enlouqueci. Em alguns momentos, senti que fiquei muito,
muito próxima disso. Mas vou voltando, tratando das feridas, assumindo minha
condição, procurando reconstruir o que ruiu.
Tenho alguém que saiu de dentro de mim, alguém que eu
coloquei aqui, pra existir, e tenho que estar por ele, que de nada sabe dessas
escuridões, mas que quando o dia nasce de novo, vai falar a palavra “mamãe”
inúmeras vezes, e terá de ser atendido.
Não quero ser heroica, nem supermãe. Sou um ser humano cheio
de falhas, necessidades, abismos. Só o que eu quero, o que eu peço, o que eu
almejo, acima de tudo, é força, é PAZ. Essa é a maior ambição da minha vida.
PAZ.
Não está sendo fácil. Mas eu vou continuar buscando isso, afinal,
é uma questão de sobrevivência.