26 de abr. de 2010

Seriando a vida ( no social life for a while)

Lost: ultimate fight. Dói pensar que vai acabar. Só mais 3 episódios, assim me parece. Orfandade antecipada... Parece ridículo, mas temporadas se confundem com momentos da minha vida. Difícil explicar, mas toda essa série talvez seja uma das coisas mais sensacionais.

The Office: custei a começar. Segunda temporada. Steve Carell estrelando; é incrível como esse ator é bom. As tramas são meio esquemáticas, mas tudo bem - tem um clima patético, agridoce, sarcástico e melancólico ao mesmo tempo. Os personagens, embora aparentemente não-profundos, são muito interessantes. Recomendo fortemente.

True Blood: vampires e soft sacanagem. Atores e atrizes bons e bonitos. Uma sociedade em que os vampiros são "integrados" e tomam sangue sintético. Óbvio que não vai ser bem assim... Sistema de castas interessante do mundo vampírico; a abertura é um caso à parte.

Dexter: o serial killer mais irresistível. O personagem do cara comum e inofensivo que guarda um monstro por dentro. Mas um monstro adorável, talvez pelo talento do ator. Roteiros muito excelentes e um elenco de apoio bem bom.

Six Feet Under. A melhor série de todos os tempos. Tá tudo lá. Pra chorar, pra rir, pra pensar. Mórbida, triste, engraçada, doce. Uma família que é dona de uma casa funerária ( que funciona na própria casa...). Cadáveres e dramas conjugados. O final é uma das coisas mais incríveis já vistas. Recomendo com muita força. Já terminou de ser exibida em 2005 ou 2006, por aí, mas vale a pena, muito.

Então é isso. Tanta coisa boa pra ver que dá vontade de só fazer isso. Mas e a vida, lá fora? O sol doura sem literatura, já dizia Pessoa, e eu contribuo: doura sem os seriados americanos também...

25 de abr. de 2010

fantasmas não pagam impostos

Domingo cinzento, frio, luz pardacenta. Digitando um trabalho de direito pra ganhar uns reais ( bem poucos, pensei, depois de sofrer, bufar e amaldiçoar um quadro medonho de tributos. deu vontade de cobrar mais caro...)lá pelas tantas, localizo a informação de que os templos religiosos, dentre outras instituições, tem imunidade tributária. Legal, né, fantasmas? Na minha rua tem um, digo, os fundo de um. Esses tempos ( digo, ano passado), passei por lá e vi uma imensa cruz vermelha encostada. Que troço mais macabro. E tinham vários carros importados encostados também por lá. Eh, coisa boa a imunidade tributária. Enquanto eu pago imposto de renda e ipva e fico lisa e dura, aceitando trabalhinhos de digitar. Foi só algo que ocorreu, assim, porque de que adianta, não é? Pensar nisso. Avante em nossa vida de gado, pecinhas ínfimas da engrenagem, pecinhas acuadas por não ter a grana necessária. Que nem ouvi esses dias - tuas contas são troco pro Roberto Justus.
Mas porque, porque escrever isso? Sei lá. De vez um quando uns lampejos de adolescência rebelde tremulam. Hoje se traduzem em postzinhos bobos que ninguém lê ( sorry, fantasmas, vocês leem).

3 de abr. de 2010

Becoming à flor da pele

Ando tão à flor da pele
Que qualquer beijo de novela
me faz chorar
ando tão à flor da pele
que meu desejo se confunde
com a vontade de não ser
ando tão à flor da pele
que a minha pele
tem o fogo
do juízo final

barco sem porto
sem rumo, sem vela
cavalo sem sela
bicho solto
um cão sem dono
um menino, um bandido
às vezes me preservo
noutras, suicido

Zeca Baleiro

Deve ser a primeira vez que eu coloco uma letra de música aqui, mas é que tão precisa, tão exata, cada palavra dela, que poderia ser epitáfio, ou "vitáfio" ( guimarãesroseando um pouco), enfim, porque ontem também assisti o "Becoming Jane" ( com aqueles patéticos títulos em português tipo "Amor e Inocência") e chorei, chorei, mais ou menos do meio pro fim. Por um lado foi uma experiência: o "à flor da pele" me fez sentir as dores da personagem, do tempo, da condição, como há muito tempo não acontecia. Muitas vezes, creio eu, se chora em filmes ( ou me beijos de novela, ou comerciais de tevê, ou uma simples imagem) por causa da própria dor; muitas vezes não: acho que sempre. Mas em alguns momentos, algo se acresce à esse prisma "egoístico"( g.roseando), a tal da empatia, que eu tanto custei a entender.
E o filme não é "grandescoisa" não, mas o espírito não anda muito exigente, nem pra rir, e muito menos pra chorar.
"Becoming Jane" é sobre a juventude de Jane Austen, e um suposto romance que ela teve, que seria inspiração para seus livros, os quais eu tanto gosto, e aos quais ela teve a delicadeza de dar finais felizes...