3 de abr. de 2010

Becoming à flor da pele

Ando tão à flor da pele
Que qualquer beijo de novela
me faz chorar
ando tão à flor da pele
que meu desejo se confunde
com a vontade de não ser
ando tão à flor da pele
que a minha pele
tem o fogo
do juízo final

barco sem porto
sem rumo, sem vela
cavalo sem sela
bicho solto
um cão sem dono
um menino, um bandido
às vezes me preservo
noutras, suicido

Zeca Baleiro

Deve ser a primeira vez que eu coloco uma letra de música aqui, mas é que tão precisa, tão exata, cada palavra dela, que poderia ser epitáfio, ou "vitáfio" ( guimarãesroseando um pouco), enfim, porque ontem também assisti o "Becoming Jane" ( com aqueles patéticos títulos em português tipo "Amor e Inocência") e chorei, chorei, mais ou menos do meio pro fim. Por um lado foi uma experiência: o "à flor da pele" me fez sentir as dores da personagem, do tempo, da condição, como há muito tempo não acontecia. Muitas vezes, creio eu, se chora em filmes ( ou me beijos de novela, ou comerciais de tevê, ou uma simples imagem) por causa da própria dor; muitas vezes não: acho que sempre. Mas em alguns momentos, algo se acresce à esse prisma "egoístico"( g.roseando), a tal da empatia, que eu tanto custei a entender.
E o filme não é "grandescoisa" não, mas o espírito não anda muito exigente, nem pra rir, e muito menos pra chorar.
"Becoming Jane" é sobre a juventude de Jane Austen, e um suposto romance que ela teve, que seria inspiração para seus livros, os quais eu tanto gosto, e aos quais ela teve a delicadeza de dar finais felizes...

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