26 de out. de 2013

O rei menino

Quase 2 anos que não publico aqui. O motivo disso, o motivo de tantas coisas, de uma mudança radical de vida? Eis:

Davi, o rei. Todo menino é um rei, e esse é o meu menino. 
Aconteceu, não foi fácil, amamento até hoje quando há poucos dias ele fez um ano, e realmente, só tendo um filho pra saber. Parece bobo dizer assim, clichê, mas é a verdade, que se há de fazer? Mas o amor não é que nem café instantâneo - ele custa um pouco mais pra se fazer, ao contrário das lendas encantadas sobre a maternidade. Por isso mesmo, quando se instala, é pra valer, e fica ali, florescendo, em meio às dificuldades, ao pós-parto, às várias provas que o relacionamento com o pai do nenê passa, ao cansaço perene, o cansaço-para-sempre.
Não voltei a trabalhar, só ano que vem, engordei bastante, meu cabelo, meu corpo, meus pensamentos mudaram, tive depressão, voltei pra medicação, mas não sei, cresceu em mim, ao mesmo tempo, uma força, uma tenacidade, uma resistência que eu sinceramente não julgava existir. 
E ele? Ele é meigo, curioso, bem-humorado, é um bebê tranquilo, sociável (não puxou a mãe...;), uma luzinha na minha estrada. 
Ah, sim, dá vontade de sair correndo, dá saudade da vida antiga, dá saudade de uma liberdade com a qual não se sabia bem o que fazer, mas que estava ali, à disposição, afinal de contas. Dá medo de um futuro longo com alguém tão intimamente dependente de ti. Mas no fim, o amor sempre vence, e de repente tu te dá conta de que está conhecendo o amor verdadeiro, e isso é importante, muito importante de se viver.
Agora eu quero tanto voltar a escrever. Há tanta coisa pensada, elocubrada, celebrada, sofrida, que não migrou pra fora nesses dois anos. Preciso que essa parte fundamental da minha existência volte a se manisfestar, de mãos dadas com a maternidade. Que elas fiquem assim no topo das coisas.
Volto já....