17 de set. de 2009

The book is on the table
Faxineira-fascinante veio, finalmente. Então, aproveitei a onda limpezística e me embrenhei junto, dobrando e guardando roupas, rasgando papéis, enchendo sacolas com o que vinha se acumulando inutilmente. Troquei algumas coisas de lugar e descobri que tenho outras que tinha esquecido a existência. Então que eu peguei material de English da faculdade. Foram 8 cadeiras de English ao longo de 5 anos e meio. Então eu vi, um pouco perplexa e com início de aflição, o quanto o meu english era mais fluente. Embora eu ensine a matéria, mas não se compara a ter aulas semanais ouvidas e faladas, escrever trabalhos ( e até aquela monografia sobre Virginia Woolf e sua Mrs. Dalloway), fazer provas em inglês. Falar inglês, que saudade. Muitas estruturas complexas que vão enferrujando. Mas, para meu consolo, dei uma organizada e deixei mais à mão, pelo menos, pra pegar, quem sabe, de vez em quando, e estudar, all by myself. E claro, pensei se um dia eu poderia usar o que vou exercitar (promessas) de novo far away from here...
The book is on the rack
Tantos livros. Ainda não lidos. Ou lidos um pedaço. Ou lidos em conjunto, e um acaba sobrepujando o outro, que fica pra trás. Depois, na retomada, tem que lembrar dos personagens e tramas. E aqueles que são viciantes. Que precisam ser deixados de lado, pois já se sabe de cor algumas passagens e daí, acaba perdendo o sentido e não é legal isso.
Agora, por exemplo, ou de um tempo pra cá, vejamos: Esaú e Jacó, Machado, um dos tantos ótimos, baratos, fáceis de carregar e variados da coleção de Pockets da L&PM ( bem que eu podia ganhar alguns fazendo propaganda...mas em blog fantasma não rola). Preciso falar baixinho pra ninguém ouvir - um pouco chato. Está bem, bem chato às vezes...Parece uma heresia dizer isso, mas é o que achei, pronto. Diferente, achei, do Dom Casmurro e do Memórias Póstumas, e de tantos outros contos incríveis, talvez porque é narrado pelo Conselheiro Aires, sei lá; mas com um texto bem mais difícil de penetrar, quase que uma porta fechada pro leitor. É essa a sensação - de algo importante acontecendo ( não a história em si, mas a maneira que é contada) e que só se pode ver através da janela, à distância, e não se pode entrar. Continuando: também A Abadia de Northanger, da Jane Austen. Eu tenho verdadeiro amor pelos livros dela, essa é a palavra - amor. Adoro todas as moças protagonistas, em especial Eleanor Dashwood, de Razão e Sensibilidade, e a minha xará Anne, de Persuasão. Pois em a Abadia, a coisa parece meio bagunçada ( com todo o respeito, Miss Austen), os monólogos são quilométricos, e a protagonista Catherine é, talvez, a que tem menos profundidade de todas as heroínas. Mas, e daí? É bom de qualquer maneira. Me falta comprar Emma, que é ótimo, e Orgulho e Preconceito - cuja melhor adaptação pras telas é de uma série da BBC, do século passado (1996) com o Colin Firth fazendo um perfeito Mr.Darcy.
Há também Os Cães Ladram, de Truman Capote. Sim, vi o filme sobre ele, e tudo. O livro contém uma série de textos, alguns curtos, outros bem longos, sobre viagens, personalidades ( Marlon Brando, Marylin Monroe)e impressões. Estou na parte em que ele relata a viagem com uma imensa companhia teatral americana para a União Soviética em 1955, auge da Guerra Fria. Gosto muito do estilo dele de escrever, e a maneira sutil, cheia de entrelinhas, de descrever as pessoas e situações.
Mas, mesmo com essas leituras em suspenso, aparecem para mim nostalgias como David Copperfield (que li completo aos 12 anos, tudo como um filme na minha cabeça juvenil); outros vários Paul Austers que ainda não li e me fazem muita falta; muitas histórias de Edgar Allan Poe que tive acesso na biblioteca da Faculdade numa edição sedutora e completa em papel bíblia que também me faz muita falta.
The book is on my mind
Mas, se a Fada Madrinha me concedesse um pedido livrístico, só um, eu seria bem coerente com ela: pediria de volta aquelas coleções de contos de fada que eu tinha quando criança, que devem estar nas estantes do Reino do Beleléu. Os desenhos eram assombrosos, tétricos como as histórias, e eu ficava horas e horas com eles nas mãos, antes mesmo de aprender a ler. Depois que eu aprendi, eram dias.

Milk

Assisti ( com IMENSO atraso, eu sei, shame on me) ontem ao filme "Milk" ( dessa vez, o subtítulo que os tradutores geralmente colocam com enorme equívoco, foi bacana; "A Voz da Igualdade"). Até agora ressoam e vibram as imagens e os sentimentos. Em primeiro lugar, o filme é de Sean Penn. Quando ele ganhou o Oscar, pensei que deveria ter sido de Mickey Rourke. Todos diziam que o Mickey na verdade estava representando a vida dele mesmo, que a trajetória de "O Lutador" era semelhante a dele, portanto, eis o motivo do desempenho estupendo do cara. Discordo de tudo isso. O que ele fez lá foi um negócio tão visceral, tão carne-sangue-nervos-lágrimas, que nada mais importa - história de vida ou não. E, no fim das contas, uma das minhas fundas crenças, azar é do goleiro por isso, que não há como separar a vida do artista/ator/escritor/etc, do criador, enfim, da obra. Como é que se vai dar vida a alguma coisa se não se põe a própria vida ali? Mas isso é assunto pra outro dia. Preciso voltar à Sean Penn, e a incrível interpretação dele como Harvey Milk - com a ajuda dele, e de um elenco de coadjuvantes precioso, o filme é de uma verdade, de uma densidade delicada e dolorida ao mesmo tempo. Mais do que representar uma figura histórica, de extrema importância não só para os gays, mas para os direitos humanos, para o ser humano, enfim, que necessariamente comporta toda e qualquer opção sexual, Sean Penn vai além ( com a ajuda da direção, do roteiro e da caracterização de época, tudo impecável). Vai justamente ao encontro disso: do humano. O que faz o filme ficar muito além dessa coisa boba de "filme de gays/para gays". Obviamente, para simpatizantes, como eu, o pacote é maior, e pega com muito mais força. E também dá alento, ressuscita um fiozinho de esperança, pensar que algumas pessoas, como Harvey Milk, vem pra cá com esse destino, com uma predestinação, devolvendo algum sentido à coisas inexplicáveis.
De Sean Penn também se tem o "Na Natureza Selvagem", como diretor; "Uma Lição de Vida", também indicado ao Oscar de ator ( os dois tem trilhas estupendas, o primeiro com canções do Eddie Veder, e o segundo, com versões de um tudo dos Beatles) e o mais antigo, "21 Gramas", que também não fica atrás. E ele fica na galeria daqueles atores de filmes que se pode ver sem medo - vão ser, no mínimo, bons, de roteiro bacanas e sempre cercado de coadjuvantes abrilhantando o baile. Junto com ele, no quesito "veja sem medo", ficam Johnny Depp, Edward Norton, Robert De Niro, Javier Barden, todos, por incrível coincidência, bem feios e sem graça, não é mesmo?

8 de set. de 2009

Domingo do parque

Levantar e sair dançando quando toca aquela música.
Rir solitariamente, e alto.
Bater palmas freneticamente pensando em algo futuramente bom.
Perguntar "por que?"
Ficar mesmerizado diante dos filmes-desenhos (dica quente: Coraline).
Sujar a roupa ao comer, bem no lugar que vai o babeiro.
(Quase) chorar ao lembrar que os livros de contos de fadas se perderam para sempre.
Ter bonecas, mesmo que não brinque (muito) com elas.
Fazer festinhas e tratar o cachorro como filho.
Ir na sessão de brinquedos da loja ou supermercado dar um olhada.
Sentir vontade de ver de novo a coleção de papéis de carta, figurinhas, cartinhas, tazos, o escambal.
Colecionar alguma coisa.
Reparar em coisas coloridas, curiosas, e que envolvam bichos ou figuras estranhas.
Ter medo do louco do bairro.
Mostrar para amiguinhos e amiguinhas novas aquisições.
Usar lápis de cor. E canetinhas.
Jogar algum jogo.
Jogar videogame.
Andar no cordão da calçada.
Achar que aquele(a) colega/vizinho(a) chato(a) é um(a) exibido(a) de marca maior.
Chamar as pessoas de "feias" "bobas" "chatas"de vez em quando.
Chutar uma bola.
Ser maluco(a) por doces.
Salivar pelo refri.
Lotar o pratinho de salgadinhos e docinhos nas festinhas.
Esperar ansiosamente pra cortarem logo o bolo nas festinhas.
Ter vontade de pegar pra si o presente que levou pro aniversariante.
Usar mochila.
Achar o cara do filme de vampiro lindo de morrer.
Ficar ouvindo os adultos falarem e se sentir frustrado(a) porque não consegue entender do que, droga, eles estão falando.
Brincar com outras crianças.
Ter estojo com lápis, canetas, borracha, apontador.
Querer ter uma caixa de faber castell aquarelável.
Se sentir sozinho(a) no mundo as vezes.
Sentir saudade dos pais.
Ter medo de escuro.
Querer ser alguém importante/famoso/de profissão maluca quando crescer.

Se você, como eu, se encaixa em muitos, ou pelo menos nuns 2, dos itens acima, mês que vem tem o dia da criança.
Parabéns pra gente.
Keep alive, always.