The book is on the table
Faxineira-fascinante veio, finalmente. Então, aproveitei a onda limpezística e me embrenhei junto, dobrando e guardando roupas, rasgando papéis, enchendo sacolas com o que vinha se acumulando inutilmente. Troquei algumas coisas de lugar e descobri que tenho outras que tinha esquecido a existência. Então que eu peguei material de English da faculdade. Foram 8 cadeiras de English ao longo de 5 anos e meio. Então eu vi, um pouco perplexa e com início de aflição, o quanto o meu english era mais fluente. Embora eu ensine a matéria, mas não se compara a ter aulas semanais ouvidas e faladas, escrever trabalhos ( e até aquela monografia sobre Virginia Woolf e sua Mrs. Dalloway), fazer provas em inglês. Falar inglês, que saudade. Muitas estruturas complexas que vão enferrujando. Mas, para meu consolo, dei uma organizada e deixei mais à mão, pelo menos, pra pegar, quem sabe, de vez em quando, e estudar, all by myself. E claro, pensei se um dia eu poderia usar o que vou exercitar (promessas) de novo far away from here...
The book is on the rack
Tantos livros. Ainda não lidos. Ou lidos um pedaço. Ou lidos em conjunto, e um acaba sobrepujando o outro, que fica pra trás. Depois, na retomada, tem que lembrar dos personagens e tramas. E aqueles que são viciantes. Que precisam ser deixados de lado, pois já se sabe de cor algumas passagens e daí, acaba perdendo o sentido e não é legal isso.
Agora, por exemplo, ou de um tempo pra cá, vejamos: Esaú e Jacó, Machado, um dos tantos ótimos, baratos, fáceis de carregar e variados da coleção de Pockets da L&PM ( bem que eu podia ganhar alguns fazendo propaganda...mas em blog fantasma não rola). Preciso falar baixinho pra ninguém ouvir - um pouco chato. Está bem, bem chato às vezes...Parece uma heresia dizer isso, mas é o que achei, pronto. Diferente, achei, do Dom Casmurro e do Memórias Póstumas, e de tantos outros contos incríveis, talvez porque é narrado pelo Conselheiro Aires, sei lá; mas com um texto bem mais difícil de penetrar, quase que uma porta fechada pro leitor. É essa a sensação - de algo importante acontecendo ( não a história em si, mas a maneira que é contada) e que só se pode ver através da janela, à distância, e não se pode entrar. Continuando: também A Abadia de Northanger, da Jane Austen. Eu tenho verdadeiro amor pelos livros dela, essa é a palavra - amor. Adoro todas as moças protagonistas, em especial Eleanor Dashwood, de Razão e Sensibilidade, e a minha xará Anne, de Persuasão. Pois em a Abadia, a coisa parece meio bagunçada ( com todo o respeito, Miss Austen), os monólogos são quilométricos, e a protagonista Catherine é, talvez, a que tem menos profundidade de todas as heroínas. Mas, e daí? É bom de qualquer maneira. Me falta comprar Emma, que é ótimo, e Orgulho e Preconceito - cuja melhor adaptação pras telas é de uma série da BBC, do século passado (1996) com o Colin Firth fazendo um perfeito Mr.Darcy.
Há também Os Cães Ladram, de Truman Capote. Sim, vi o filme sobre ele, e tudo. O livro contém uma série de textos, alguns curtos, outros bem longos, sobre viagens, personalidades ( Marlon Brando, Marylin Monroe)e impressões. Estou na parte em que ele relata a viagem com uma imensa companhia teatral americana para a União Soviética em 1955, auge da Guerra Fria. Gosto muito do estilo dele de escrever, e a maneira sutil, cheia de entrelinhas, de descrever as pessoas e situações.
Mas, mesmo com essas leituras em suspenso, aparecem para mim nostalgias como David Copperfield (que li completo aos 12 anos, tudo como um filme na minha cabeça juvenil); outros vários Paul Austers que ainda não li e me fazem muita falta; muitas histórias de Edgar Allan Poe que tive acesso na biblioteca da Faculdade numa edição sedutora e completa em papel bíblia que também me faz muita falta.
The book is on my mind
Mas, se a Fada Madrinha me concedesse um pedido livrístico, só um, eu seria bem coerente com ela: pediria de volta aquelas coleções de contos de fada que eu tinha quando criança, que devem estar nas estantes do Reino do Beleléu. Os desenhos eram assombrosos, tétricos como as histórias, e eu ficava horas e horas com eles nas mãos, antes mesmo de aprender a ler. Depois que eu aprendi, eram dias.
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