17 de set. de 2009

Milk

Assisti ( com IMENSO atraso, eu sei, shame on me) ontem ao filme "Milk" ( dessa vez, o subtítulo que os tradutores geralmente colocam com enorme equívoco, foi bacana; "A Voz da Igualdade"). Até agora ressoam e vibram as imagens e os sentimentos. Em primeiro lugar, o filme é de Sean Penn. Quando ele ganhou o Oscar, pensei que deveria ter sido de Mickey Rourke. Todos diziam que o Mickey na verdade estava representando a vida dele mesmo, que a trajetória de "O Lutador" era semelhante a dele, portanto, eis o motivo do desempenho estupendo do cara. Discordo de tudo isso. O que ele fez lá foi um negócio tão visceral, tão carne-sangue-nervos-lágrimas, que nada mais importa - história de vida ou não. E, no fim das contas, uma das minhas fundas crenças, azar é do goleiro por isso, que não há como separar a vida do artista/ator/escritor/etc, do criador, enfim, da obra. Como é que se vai dar vida a alguma coisa se não se põe a própria vida ali? Mas isso é assunto pra outro dia. Preciso voltar à Sean Penn, e a incrível interpretação dele como Harvey Milk - com a ajuda dele, e de um elenco de coadjuvantes precioso, o filme é de uma verdade, de uma densidade delicada e dolorida ao mesmo tempo. Mais do que representar uma figura histórica, de extrema importância não só para os gays, mas para os direitos humanos, para o ser humano, enfim, que necessariamente comporta toda e qualquer opção sexual, Sean Penn vai além ( com a ajuda da direção, do roteiro e da caracterização de época, tudo impecável). Vai justamente ao encontro disso: do humano. O que faz o filme ficar muito além dessa coisa boba de "filme de gays/para gays". Obviamente, para simpatizantes, como eu, o pacote é maior, e pega com muito mais força. E também dá alento, ressuscita um fiozinho de esperança, pensar que algumas pessoas, como Harvey Milk, vem pra cá com esse destino, com uma predestinação, devolvendo algum sentido à coisas inexplicáveis.
De Sean Penn também se tem o "Na Natureza Selvagem", como diretor; "Uma Lição de Vida", também indicado ao Oscar de ator ( os dois tem trilhas estupendas, o primeiro com canções do Eddie Veder, e o segundo, com versões de um tudo dos Beatles) e o mais antigo, "21 Gramas", que também não fica atrás. E ele fica na galeria daqueles atores de filmes que se pode ver sem medo - vão ser, no mínimo, bons, de roteiro bacanas e sempre cercado de coadjuvantes abrilhantando o baile. Junto com ele, no quesito "veja sem medo", ficam Johnny Depp, Edward Norton, Robert De Niro, Javier Barden, todos, por incrível coincidência, bem feios e sem graça, não é mesmo?

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