20 de out. de 2009

província's news


São raras, preciosas pedrinhas na beira do rio das palavras.

Risadas descontroladas e a identificação da cauda do escorpião com os chifres do carneiro - instrumentos de defesa que são o melhor ataque.

Acrobatas, as palavras de lá.

Metrificadas, as de cá.

Poder ser um pouco mais o que vai lá dentro, nem que seja pelos fios telefônicos que ligam as mormentes províncias habitadas, calcificadas de tédio e wish lists.

E a saudade, implícita.

Alguns fios de meada, são assim: sempre retomados do último arremate.

17 de out. de 2009

nightmare

Fazia tempo que não acontecia: tentar me mexer no entre-sono e não conseguir. O que era tão nítido e terrível no pesadelo hoje, horas depois, são apenas pálidas imagens sem nexo, e isso me dá pena, porque os sonhos são sempre, matéria prima. de, pelo menos, dar alguma pista, ínfima que seja, do caos que grassa lá dentro, nas profundezas.
Mas retorno ( é que a noite não parece ter acabado ainda, e já são 3 da tarde de sábado, eu gosto de tardes de sábado): altas da madrugada, pesadelo tenebroso, e eu tentando acordar daquilo, sem conseguir mover um músculo. tentava erguer uma mão, um braço, mexer um dedo do pé que fosse - nada. O coma do sono. Assustador. É então que se chora, conseguindo apenas fazer os movimentos mínimos faciais. E é então que se pensa, preciso alcançar o telefone e avisar alguém que eu estou paralisada, que os predadores do sonho ( que eu não tinha certeza total se era ainda e apenas só um pesadelo) estavam cada vez mais perto; mas num clarão de consciência no meio daquele emaranhado eu lembrei que o celular estava na sala e que eu não conseguia me mexer e como eu chegaria lá? E que, merda, não lembrava se tinha realmente chaveado a porta.
E nada, e força, e novas tentativas, e eu não conseguia me mexer.
Devem ter se passado horas ( que talvez sejam equivalentes a minutos nesse fundo de mar que nunca vê a luz que é o sono) mas eis que abro os olhos e consigo me mexer. Devagar, devagar. E, por fim, aquela sensação sem preço de que foi tudo, apenas, um pesadelo.
E até agora, horas depois ( sendo que pude dormir o sono dos justos, bem, dos injustos que seja, sem maiores emoções até as 10 e meia), parece que a noite ainda não acabou, nos meus movimentos lentos, na sensação de irrealidade persistente, até eu chegar aqui e escrever isso, agora, já.
Boa tarde, Stephen King.

6 de out. de 2009

fundos de gaveta

palavras tortas
não as lançamos sobre os telhados
desta, ou de qualquer outra madrugada

deixamos para o silêncio
a tarefa de nos intimidar

e sempre, para sempre sabemos
da inutilidade
da precipitação.

e o que fica para depois
acaba por não ficar:
morre com o dia que nasce
A casa das cinco mulheres.
Todas elas ali são mais jovens do que eu sou agora nesse exato momento, e vinte anos se passaram.
Nem sei se eu as conheço bem, até hoje.
Nem sei se me conhecem. Devem conhecer o que supõe. Que nem sempre é o que se é. Apenas hipóteses. Que se deixa entrever. Que se gostaria de dizer, por trás dos eternos clichês.
Duas tem filhos, três não tem.
Duas foram viúvas, e casaram de novo.
Todas sofreram seu tanto. Umas mais, por coisas de saúde e filhos, outras por perdas, outras pela solidão.
Duas moram sozinhas, três tem maridos.
Quatro tem olhos castanhos, uma tem cor de mel.
As cinco nasceram com cabelos castanhos, antes das tinturas.
Todas sem exceção tem forte tendência para engordar.
Duas eram fumantes, uma ainda fuma. Duas nunca fumaram.
Todas são professoras, gostando ou não da profissão.
Quatro cozinham muito bem, e uma das quatro cozinha melhor que todas.
Pra todas os anos passam.
E eu ainda sou a última.
E eu ainda: ali, naquela foto, eu ainda estou tão ali.

Casa sonho

Casa em Caxias do Sul.

Aleatórias

O frio da primavera: o frio da primeira verdade: o frio na alma.

A consciência plena,ferina, abrangente, por vezes aterradora, logo que se acorda: parodoxo vivo.

Os deuses que se adoram: nas telas, nas fotos, nas páginas, nos arquivos, nas estantes: o vazio do ateísmo rondando.

O pano com que se cobre, o pano que se paga, o pano que veste o manequim, o pano que estampa, o pano que não é para este corpo: o pano vermelho cegou o touro de raiva.

A resposta que não vem, a resposta que não vem a mais de uma década, a resposta depois de pausa longa, a resposta torta, a resposta perdida na posta distante: o cérebro é um ponto de interrogação que desbota rapidamente.

A unha encarnada que descasaca: a raiz do cabelo que aparece: as linhas de expressão sorrateiras, trabalhadoras na calada da madrugada: azulejo limpo, pano de prato bordado, fogão areado: mar vermelho em jatos invasores: feminismo

O silêncio: a solidão: o pó de capuccino: ruído das teclas: casas fechadas: conforto.

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Look at me
I’m your new thing
Taste me
Try me
Put your hands on me

Let me feel empty

Don’t take this from me
I want to be
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But please don’t think
About me
Just let me be
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I’m tired of being profound
I’m tired of being full of moral
I’m tired of being around

Just let me be
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