Os animais são tão incríveis. Até um peixe-beta responde a um carinho através do vidro do aquário. Eu, que nunca fui chegada à gatos, gradualmente vou sendo conquistada. E vou ficando ridícula na presença de um bicho ( não de todos, claro), começo a falar uma outra língua, só minha, que lembra levemente o chinês. Vontades loucas de apertar, até bruxismo ( acordada) me dá. Então me pego vendo as imagens, cenas, de animais de todos os tipos na tv, nos filmes, coração banhado de ternura. Até os feios, os esquisitos, tem a sua escondida graça. Uma joaninha resolveu visitar meu banheiro, o inseto mais bonito do mundo. Um cadáver de lagartixa ( já encontrei dentro de livros, inclusive) me dá um baque de tristeza. E as lontras, as lontras do zoológico, Deus meu? Elas ficam lá, naqueles laguinhos artificiais, pulando e mergulhando sem parar, numa coreografia hipnótica; parecem sorrir pra mim e dizer, ó, como é bom brincar e não pensar em mais nada. Os elefantes e girafas, magnânimos, ternos e zens em sua altura e peso, me enchem de puríssimo amor.
E então ouço coisas como "as pessoas precisam se humanizar". E chamar alguém de "animal" é considerado ofensivo... Olho aquela filosofia bandeada pro Oriente dos animais, eles apenas existem e vivem de acordo com sua espécie. São, apenas. Nós também somos. Mas, usamos nossas faculdades pensantes, o que nos difere dos bichos, e que nós dão aquilo que chamamos de "poder de escolha", pra escolher mal. Eles o fazem por instinto. Nós, aculturados, temos, cientes ou não, o livre arbítrio. É da natureza da cobra expelir veneno.
A gente bem que poderia segurar, de vez em quando, o nosso. Ou expelir, bem na sua, de canto, num banheiro escuro, com ninguém por perto - no máximo, uma parceria pra segurar a nossa cabeça.