O frio da primavera: o frio da primeira verdade: o frio na alma.
A consciência plena,ferina, abrangente, por vezes aterradora, logo que se acorda: parodoxo vivo.
Os deuses que se adoram: nas telas, nas fotos, nas páginas, nos arquivos, nas estantes: o vazio do ateísmo rondando.
O pano com que se cobre, o pano que se paga, o pano que veste o manequim, o pano que estampa, o pano que não é para este corpo: o pano vermelho cegou o touro de raiva.
A resposta que não vem, a resposta que não vem a mais de uma década, a resposta depois de pausa longa, a resposta torta, a resposta perdida na posta distante: o cérebro é um ponto de interrogação que desbota rapidamente.
A unha encarnada que descasaca: a raiz do cabelo que aparece: as linhas de expressão sorrateiras, trabalhadoras na calada da madrugada: azulejo limpo, pano de prato bordado, fogão areado: mar vermelho em jatos invasores: feminismo
O silêncio: a solidão: o pó de capuccino: ruído das teclas: casas fechadas: conforto.
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