8 de jun. de 2008

névoa neblina, brumas serrações

Londres é aqui.
Há pouco saí à rua e vi, envolvendo a lâmpada que ilumina meu caminho, uma bruma. Uma serração, termo bem gaúcho. Névoa. Neblina. Adoro todas essas palavras:bruma, névoa, neblina, serração. Tão aliteráveis, tão simbolistas. E sempre que por aqui, nesta simbólica terra dos pampas, acontece esse fenômeno, à reboque, claro, vem o mistério.
O mistério de existir. O mistério do tempo, do clima, do ar, que parece atemporal, que parece atravessar séculos e desembarcar aqui, numa noite de domingo de inverno.
E isso, que agora elaboro, me passou, enquanto entrava em casa de novo - e fez bem. Mesmo que compartimentalizada dentro de um meio urbano, com espaços delimitados, nichos demarcados e quase não tocando o chão de verdade com os pés, existe algo. Ainda existe um mistério. Uma bruma que encobre, uma névoa silenciosa, o mistério da natureza, que, mesmo esmagada, escondida, apertada em meio ao cimento, manda esses sinais, discretos, quase imperceptíveis.
A brumas também pairam aqui, no fim do fundo da América do Sul, a bruma lá (fog) e a bruma aqui (serração).
Londres é aqui.
E viva o Rio Grande do Sul.

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