6 de out. de 2009

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Look at me
I’m your new thing
Taste me
Try me
Put your hands on me

Let me feel empty

Don’t take this from me
I want to be
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But please don’t think
About me
Just let me be
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I’m tired of being profound
I’m tired of being full of moral
I’m tired of being around

Just let me be
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17 de set. de 2009

The book is on the table
Faxineira-fascinante veio, finalmente. Então, aproveitei a onda limpezística e me embrenhei junto, dobrando e guardando roupas, rasgando papéis, enchendo sacolas com o que vinha se acumulando inutilmente. Troquei algumas coisas de lugar e descobri que tenho outras que tinha esquecido a existência. Então que eu peguei material de English da faculdade. Foram 8 cadeiras de English ao longo de 5 anos e meio. Então eu vi, um pouco perplexa e com início de aflição, o quanto o meu english era mais fluente. Embora eu ensine a matéria, mas não se compara a ter aulas semanais ouvidas e faladas, escrever trabalhos ( e até aquela monografia sobre Virginia Woolf e sua Mrs. Dalloway), fazer provas em inglês. Falar inglês, que saudade. Muitas estruturas complexas que vão enferrujando. Mas, para meu consolo, dei uma organizada e deixei mais à mão, pelo menos, pra pegar, quem sabe, de vez em quando, e estudar, all by myself. E claro, pensei se um dia eu poderia usar o que vou exercitar (promessas) de novo far away from here...
The book is on the rack
Tantos livros. Ainda não lidos. Ou lidos um pedaço. Ou lidos em conjunto, e um acaba sobrepujando o outro, que fica pra trás. Depois, na retomada, tem que lembrar dos personagens e tramas. E aqueles que são viciantes. Que precisam ser deixados de lado, pois já se sabe de cor algumas passagens e daí, acaba perdendo o sentido e não é legal isso.
Agora, por exemplo, ou de um tempo pra cá, vejamos: Esaú e Jacó, Machado, um dos tantos ótimos, baratos, fáceis de carregar e variados da coleção de Pockets da L&PM ( bem que eu podia ganhar alguns fazendo propaganda...mas em blog fantasma não rola). Preciso falar baixinho pra ninguém ouvir - um pouco chato. Está bem, bem chato às vezes...Parece uma heresia dizer isso, mas é o que achei, pronto. Diferente, achei, do Dom Casmurro e do Memórias Póstumas, e de tantos outros contos incríveis, talvez porque é narrado pelo Conselheiro Aires, sei lá; mas com um texto bem mais difícil de penetrar, quase que uma porta fechada pro leitor. É essa a sensação - de algo importante acontecendo ( não a história em si, mas a maneira que é contada) e que só se pode ver através da janela, à distância, e não se pode entrar. Continuando: também A Abadia de Northanger, da Jane Austen. Eu tenho verdadeiro amor pelos livros dela, essa é a palavra - amor. Adoro todas as moças protagonistas, em especial Eleanor Dashwood, de Razão e Sensibilidade, e a minha xará Anne, de Persuasão. Pois em a Abadia, a coisa parece meio bagunçada ( com todo o respeito, Miss Austen), os monólogos são quilométricos, e a protagonista Catherine é, talvez, a que tem menos profundidade de todas as heroínas. Mas, e daí? É bom de qualquer maneira. Me falta comprar Emma, que é ótimo, e Orgulho e Preconceito - cuja melhor adaptação pras telas é de uma série da BBC, do século passado (1996) com o Colin Firth fazendo um perfeito Mr.Darcy.
Há também Os Cães Ladram, de Truman Capote. Sim, vi o filme sobre ele, e tudo. O livro contém uma série de textos, alguns curtos, outros bem longos, sobre viagens, personalidades ( Marlon Brando, Marylin Monroe)e impressões. Estou na parte em que ele relata a viagem com uma imensa companhia teatral americana para a União Soviética em 1955, auge da Guerra Fria. Gosto muito do estilo dele de escrever, e a maneira sutil, cheia de entrelinhas, de descrever as pessoas e situações.
Mas, mesmo com essas leituras em suspenso, aparecem para mim nostalgias como David Copperfield (que li completo aos 12 anos, tudo como um filme na minha cabeça juvenil); outros vários Paul Austers que ainda não li e me fazem muita falta; muitas histórias de Edgar Allan Poe que tive acesso na biblioteca da Faculdade numa edição sedutora e completa em papel bíblia que também me faz muita falta.
The book is on my mind
Mas, se a Fada Madrinha me concedesse um pedido livrístico, só um, eu seria bem coerente com ela: pediria de volta aquelas coleções de contos de fada que eu tinha quando criança, que devem estar nas estantes do Reino do Beleléu. Os desenhos eram assombrosos, tétricos como as histórias, e eu ficava horas e horas com eles nas mãos, antes mesmo de aprender a ler. Depois que eu aprendi, eram dias.

Milk

Assisti ( com IMENSO atraso, eu sei, shame on me) ontem ao filme "Milk" ( dessa vez, o subtítulo que os tradutores geralmente colocam com enorme equívoco, foi bacana; "A Voz da Igualdade"). Até agora ressoam e vibram as imagens e os sentimentos. Em primeiro lugar, o filme é de Sean Penn. Quando ele ganhou o Oscar, pensei que deveria ter sido de Mickey Rourke. Todos diziam que o Mickey na verdade estava representando a vida dele mesmo, que a trajetória de "O Lutador" era semelhante a dele, portanto, eis o motivo do desempenho estupendo do cara. Discordo de tudo isso. O que ele fez lá foi um negócio tão visceral, tão carne-sangue-nervos-lágrimas, que nada mais importa - história de vida ou não. E, no fim das contas, uma das minhas fundas crenças, azar é do goleiro por isso, que não há como separar a vida do artista/ator/escritor/etc, do criador, enfim, da obra. Como é que se vai dar vida a alguma coisa se não se põe a própria vida ali? Mas isso é assunto pra outro dia. Preciso voltar à Sean Penn, e a incrível interpretação dele como Harvey Milk - com a ajuda dele, e de um elenco de coadjuvantes precioso, o filme é de uma verdade, de uma densidade delicada e dolorida ao mesmo tempo. Mais do que representar uma figura histórica, de extrema importância não só para os gays, mas para os direitos humanos, para o ser humano, enfim, que necessariamente comporta toda e qualquer opção sexual, Sean Penn vai além ( com a ajuda da direção, do roteiro e da caracterização de época, tudo impecável). Vai justamente ao encontro disso: do humano. O que faz o filme ficar muito além dessa coisa boba de "filme de gays/para gays". Obviamente, para simpatizantes, como eu, o pacote é maior, e pega com muito mais força. E também dá alento, ressuscita um fiozinho de esperança, pensar que algumas pessoas, como Harvey Milk, vem pra cá com esse destino, com uma predestinação, devolvendo algum sentido à coisas inexplicáveis.
De Sean Penn também se tem o "Na Natureza Selvagem", como diretor; "Uma Lição de Vida", também indicado ao Oscar de ator ( os dois tem trilhas estupendas, o primeiro com canções do Eddie Veder, e o segundo, com versões de um tudo dos Beatles) e o mais antigo, "21 Gramas", que também não fica atrás. E ele fica na galeria daqueles atores de filmes que se pode ver sem medo - vão ser, no mínimo, bons, de roteiro bacanas e sempre cercado de coadjuvantes abrilhantando o baile. Junto com ele, no quesito "veja sem medo", ficam Johnny Depp, Edward Norton, Robert De Niro, Javier Barden, todos, por incrível coincidência, bem feios e sem graça, não é mesmo?

8 de set. de 2009

Domingo do parque

Levantar e sair dançando quando toca aquela música.
Rir solitariamente, e alto.
Bater palmas freneticamente pensando em algo futuramente bom.
Perguntar "por que?"
Ficar mesmerizado diante dos filmes-desenhos (dica quente: Coraline).
Sujar a roupa ao comer, bem no lugar que vai o babeiro.
(Quase) chorar ao lembrar que os livros de contos de fadas se perderam para sempre.
Ter bonecas, mesmo que não brinque (muito) com elas.
Fazer festinhas e tratar o cachorro como filho.
Ir na sessão de brinquedos da loja ou supermercado dar um olhada.
Sentir vontade de ver de novo a coleção de papéis de carta, figurinhas, cartinhas, tazos, o escambal.
Colecionar alguma coisa.
Reparar em coisas coloridas, curiosas, e que envolvam bichos ou figuras estranhas.
Ter medo do louco do bairro.
Mostrar para amiguinhos e amiguinhas novas aquisições.
Usar lápis de cor. E canetinhas.
Jogar algum jogo.
Jogar videogame.
Andar no cordão da calçada.
Achar que aquele(a) colega/vizinho(a) chato(a) é um(a) exibido(a) de marca maior.
Chamar as pessoas de "feias" "bobas" "chatas"de vez em quando.
Chutar uma bola.
Ser maluco(a) por doces.
Salivar pelo refri.
Lotar o pratinho de salgadinhos e docinhos nas festinhas.
Esperar ansiosamente pra cortarem logo o bolo nas festinhas.
Ter vontade de pegar pra si o presente que levou pro aniversariante.
Usar mochila.
Achar o cara do filme de vampiro lindo de morrer.
Ficar ouvindo os adultos falarem e se sentir frustrado(a) porque não consegue entender do que, droga, eles estão falando.
Brincar com outras crianças.
Ter estojo com lápis, canetas, borracha, apontador.
Querer ter uma caixa de faber castell aquarelável.
Se sentir sozinho(a) no mundo as vezes.
Sentir saudade dos pais.
Ter medo de escuro.
Querer ser alguém importante/famoso/de profissão maluca quando crescer.

Se você, como eu, se encaixa em muitos, ou pelo menos nuns 2, dos itens acima, mês que vem tem o dia da criança.
Parabéns pra gente.
Keep alive, always.

25 de jul. de 2009

Os dois potes são bonitos - brancos com a tampa verde-claro. Fazem um barulhinho bom, Marisa Monte (trilha tipo-nada-a-ver). Custaram, os irmãos quase gêmeos, e se fossem gêmeos, quase univitelinos, 35 pilas, quantia módica até, na loja de produtos naturais, atendida por uma simpática baiana assustada com o frio do Rio Grande, tchê. Módica quantia se operarem milagres, afinal, dorme-se com a inimiga, é arriscado. Dorme-se, acorda-se, vive-se com a inimiga. Morando bem lá dentro, escondida e confortável feito feto no útero do crânio dolorido e das "mioleiras tricotadas", pra citar Nisemblat. A ciência natural vai ajudar.
O gato passeia pelo muro. Batizei-o de Edgar, singela homenagem a Poe. Talvez eu fosse uma bruxa, se conto de fada a vida fosse. Vivendo assim, no meio das árvores, da pilha de folhas secas que se acumulam ao redor, escondida ao fundo, quem não sabe daqui, não sabe que aqui habito. E quem sabe tem o direito de fugir. Eu gostaria, por vezes, mas faltam forças, ou eu não as enxergo.
* * *

“A única forma de suportar a existência é aturdir-se na literatura como em uma orgia perpétua.”
Gustave Flaubert
Li mais um Paul Auster. Li de uma sentada ( e de algumas deitadas, pra ser mais precisa). Virei sócia da biblioteca do Sesc aqui de minha dileta cidade. O momento encontro com as estantes de lá foi significativo: senti uma espécie de taquicardia, um deslumbramento, um quase sem-fôlego. As cores, as texturas, os livros alinhados na estante, que eu tocava, olhava, passeava pelo meio. Há quanto tempo eu não entrava numa biblioteca de verdade? Lembrei de outros momentos assim, na faculdade, mas lá a coisa era quase que diária, então, a sensação foi ficando esmaecida. Biblioteca pra mim é mitologia pura, ainda mais nesse momento Caio F. que ando, quando o fósforo que não acende é o fogo de Prometeu que não vinga, ó deuses. Engraçado foi a moça que entrou quase depois de mim: ela dizia que ia alugar livros, alugar. Mas a gente não paga por eles, senhorita ( eu vestia um vestido de época, em pensamento, então tinha que ser coerente na linguagem imaginária). A gente os pega na mão, dá pra moça simpática no balcão, ela registra e a gente leva pra casa. Assim é uma biblioteca: um empréstimo, uma taquicardia, um deslumbramento. Ela não consegui achar os do Sidney Sheldon, uma vez que o Crepúsculo, que ela desolada descobriu que tinha fila de espera, não estava lá. Indiquei onde estava, orgulhosa. Lembrando que havia lido vários do cara aos 11, 12, 13 anos de idade. Não, isso não é nenhuma nota de arrogância ou desdém - pra quem tem vício, até o ruim é bom. É como com os filmes - vê-se de tudo, o resto fica por conta da seleção natural.
E Paul Auster é um baita dum escritor. Ponto.
* * *

“Parecia-me que a literatura agregava quartos ao mundo, assim como se agregam quartos a uma casa. E esses quartos eram infinitos e atraentes. Creio que os bons romances são como casas em que uma pessoa gosta de morar.”
Adolfo Bioy Casares
Ontem, sol - fui andar um tanto. Numa cidade "pequena", é fácil passar por lugares que guardam lembranças remotas, é só virar umas esquinas, subir e descer lombas, mudar alguns metros do trajeto. A escola da adolescência, a escola de freiras, construção antiga e bela, ainda está lá, ao alcance de alguns passos. A sala de aula que passei o último ano, com seus janelões incríveis onde a gente sentava quando ninguém iria reclamar, também estava. Nada de nostalgia da pesada, não: algo leve, quase que um vento memorial soprando, e dizendo quase nada, que é muito, no fundo: o tempo. Que passa. Por mais que não pareça. E todas as perguntas decorrentes disso, que é tão simples, são tão complexas e irrespondíveis. Que imenso paradoxo, a gente nunca entender o que decorre do que é estabelecido. Então fico andando, entre orgulhosa e preocupada de ser tão adolescente ainda, debaixo do sol, tentando fingir que não preciso passar no banco e nem pensar que era hora do almoço.

“ Ler bem é um dos maiores prazeres que a solidão pode proporcionar, porque, pelo menos segundo minha experiência, é o mais saudável do ponto de vista espiritual. Faz com que a pessoa se relacione com a alteridade, quer a própria, quer a dos amigos ou a de quem puder chegar a sê-lo. A invenção literária é alteridade e, por isso, alivia a solidão.”
Harold Bloom

* * *

“ Nada é real se não o escrevo.”
Virginia Woolf

9 de jul. de 2009

Adjutórios do momento:

Black to Black, Amy Winehouse
No surprises, Radiohead
Uma foto de Edward Norton
Literatura policial e fantástica, vários autores
Som e fúria, minissérie da Grobo
Cobertor de lã apelidado de Urso
Cigarretes
Poder dormir nas manhãs de folga
Torradas, by George Forman

9 de jun. de 2009

The awakening

Há muito, muito tempo atrás, numa galáxia distante aqui, nesse mesmo universo adjutório, eu falei da curva dos 30. Pois bem, já se passaram dois anos dessa passagem. E eles, os anos, passam assim, num abrir e fechar de olhos. Ontem, por exemplo, quando eu fui dormir, de pijama novo, eu tinha uns 16.
E eu era eterna.
Acordei com 16 a mais e lá, em cima do armário do banheiro, vi que tinha um pote de creme anti-rugas. E, me aproximando mais do espelho, vi que realmente, pelas linhas de expressão que incrivelmente surgiram no espaço de 7 horas dormidas, estava precisando mesmo do tal do potinho. E, depois, me dei conta de que, ao invés de ir para a aula, sentar no fundo da sala, trocar bilhetinhos com as colegas e escrever letras de música da Legião Urbana nas últimas folhas do caderno, eu tinha que me vestir, pegar um ônibus cedo e ir para a frente da sala de aula, dar a aula, e não assistir, porque eu agora era a professora. Então eu fui abrir a geladeira e vi que só tinha uma caixinha de leite, e no fim, e que se eu quisesse beber mais leite do que aquilo, eu, e só eu, teria que comprar, porque as caixas de leite dentro da geladeira não eram fontes perpetuamente renováveis como quando eu tinha ido dormir com 16 anos.
Não senti nostalgia nem pânico por aquela situação tão incomum, esse negócio de acordar com o dobro da idade. Senti primeiro uma solidão imensa, porque fui percebendo que só eu habitava aquela casa ( e que não era mais a casa dos meus pais). Depois, aquela coisa literária chamada de "lenta compreensão" foi invadindo. Por que assim, aos poucos, como que clicando em vários arquivos em sequencia, veio também vários conhecimentos, visões, lembranças, experiências que esse acréscimo de 16 anos trazia embutido. rapidamente, fiz o fatídico balanço ( há coisas fora de comando muito cedo pela manhã). Quis voltar correndo pra lá, 16 anos antes. Mas queria levar junto o que aprendi, incluindo, principalmente, o que não foi bom. Ou o pouco. Ou o errado ( que foi tanto). Mas decidi ficar, e pensar, assim, tentando tornar permanente, tentando tornar um trunfo particular, que eu poderia começar tudo, de novo, aos 16 nos 32. Com a mesma fome. A mesma curiosidade. A mesma fé. A mesma esperança. A mesma vontade de aprender. De novo e de novo e de novo.
E sem dispensar a companhia, claro, do anti-rugas, bom conselheiro da pele tenra dos 16.

12 de jan. de 2009

Ficções ( em homenagem à Borges)

Creio que foi Foucauld ( cito de segunda mão, não consegui ainda passar das primeiras páginas) que falou a respeito de "acreditar no discurso". Isso me leva à idéia de aceitação do pacto ficcional. Aquela coisa de comprarmos a idéia do que lemos, compactuar com o autor, aceitar o que se lê como real.Mesmo que se saiba que é ficção, que não é real ( e mesmo o relato de experiências verídicas, quando escritas, são sempre uma representação), compactuamos. Sentimos, sofremos, rimos, especialmente com aqueles escritores bruxos ( do Cosme Velho ou não). As personagens se tornam quase que pessoas reais e palpáveis.
Mas falo de literatura. E ponto.
Nova linha, parágrafo: a vida não é literatura, aliás, Pessoa disse, o sol doura sem ela. Eu não vivo sem, mas não espero que outros sejam como eu. Gostaria até, mas não espero mais. Mas: a vida é isso aí, do cotidiano, de abrir os olhos, sair pra rua, coexistir - pelo menos em teoria.Então chego onde eu queria realmente chegar e não conseguiria sem uma básica introdução: é possível aceitar o pacto ficcional, acreditar no discurso da vida chão-chão?Antes de ser possível ou não, deve-se fazer isso? É assim mesmo que tem que ser?
Devo estar sendo naive ( french words em tua homenagem, Nisemblat), mas, eu ainda não sei jogar o jogo. Esse grande teatrão que virou a vida, desde o sorriso falso, a aquiescência forçada, as amabilidades fúteis ( até então, digamos, estaríamos no terreno "soft", talvez) ao engolir sapos que ficam trancados na garganta.Porque o bizarro, o irreal, o absurdo, o insuportável, tudo vai virando discurso que se aceita, pacto ficcional que saiu da literatura pra vida-vida mesmo. Aquela de ir trabalhar, pegar ônibus, atravessar avenidas, frequentar o comércio. Digo: não é possível que as pessoas não percebam que tudo é, cada vez mais, uma representação e a gente é, na maioria, aqueles extras que passam ao longe na cena e que nunca levam o nome nos créditos. Que tudo é uma grande manipulação.
Cada um escuta, acredito, o eco da verdade em uma altura diferente. Eu, às vezes, quase me ensurdeço - mas fico pensando se eu mesma não estou fabricando esse efeito sonoro pra me candidatar ao Oscar desse categoria imaginária pra esse filme extenso e incompreensível do qual eu faço parte. Da qual a comida, a cor em voga, a marca, a bebida mais nova, o arremedo de moda que respinga nos balaios e liquidações das lojas de departamentos, fazem parte.Tudo vira camada sobre camada de algo genuíno, primevo, que vai desbotando, vai esmaecendo.
É, talvez, uma tentativa de buscar o meu primitivo. Bonito dizer que a arte, a literatura, salva. Salva porque ilude. E ilusão é proteção. A arte imita a vida, lembra? Mas quando a vida começa a imitar a arte, e o surrealismo, que devia estar dentro da moldura daliniana, por exemplo, começa a invadir e transformar a vida-vida nessa representação esquizofrênica, nesse frenesi de mentiras e discursos que de tão falsos são críveis, eu quero que a arte seja mais arte e menos vida.
A vida, esse negócio genuíno e primevo.
E escrever, esse é o meu genuíno e primevo. Mesmo que seja um tatear na neblina, ainda é o espaço em que o pacto ficcional está em seu lugar à parte: no seu verdadeiro lugar.

10 de jan. de 2009

Filmes Favoritos

Caio Fernando Abreu em...
O Jardineiro Fiel


John Steinbeck, Philip Roth e Paul Auster em...
Era uma vez na América


Simone de Beauvoir, Gustave Flaubert, Victor Hugo em:
O Último Tango em Paris


William Shakespeare em:
O Poderoso Chefão


Fernando Pessoa em:
As Sete Caras do Dr.Lao


Machado de Assis em...
O Mágico de Oz


Nelson Rodrigues em...
Segredos e Mentiras


Edgar Allan Poe, Álvares de Azevedo e Augusto dos Anjos em...
Festim Diabólico


Clarice Lispector em...
My Fair Lady

9 de jan. de 2009

Ao som de la viguela

para o exato momento que está acontecendo:

é o sangue inanimado, insuspeitado, que volta a pulsar
alguma vida insopitável que esse vento, sonoro, veio a despertar
a vontade se ergue do leito fictício de morte
disposta a toda e qualquer cartada da sorte

dia de ventos, dia dos mortos, dia de ressuscitar
segurar firme e impiedosamente para de novo este nó atar
que seja tardio, não importa, afinal, este enlace
urge pular no primeiro trem que por essa estação passe

é o vento, com esse murmúrio secular, imemorial
que insiste em por a correr pelas veias essa vontade quase bestial

o apelo grita aos ouvidos que abandonaram a voluntária surdez
para emitir o último aviso, chegada a hora, vinda de uma vez

vento nas veias, sangue que grita pelas esquinas do corpo
sopro renovado naquilo que se julgava para sempre morto

la sangre, me ponga a cantar, tu canción de despiertar
el viento, me ponga a viajar, en tu canción de sangrar

17 de ago. de 2008

To be continued

À minha frente, uma foto de John e Yoko. Os dois, lado a lado, me lembram Vitor Ramil - “vem, anda comigo, pelo planeta, vamos sumir, vem, nada nos prende, ombro no ombro, vamos sair”. Ombro no ombro: o pouco que sei dos dois me traz essa analogia, ou algo mais piegas e sentimental, como “amar não é olhar um para o outro, mas olhar na mesma direção”. E lá estão John e Yoko, olhando na mesma direção, e eu nem era nascida. O clipe que Yoko fez sobre a canção “Woman” sempre me faz derramar umas lágrimas, em especial, no final, encerrando com aquele pungente “to be continued”, como nos seriados americanos, quando a gente fica esperando pelo próximo capítulo pra ver, pombas, o que vai acontecer. Os dois caminham pelo Central Park, belos, serenos, ombro no ombro, não se olham nos olhos - seria necessário? É o que todos nos almejamos, afinal? É o que dá sentido, ou é apenas mais uma invenção dos fabricantes de cartões românticos?
Pergunto sem querer respostas, não enviem cartas para a redação, deixem que as questões pairem no ar, como paira a foto deles no meu mural, agridoce.Há os que conseguem, mas um tiro, um outro, ou outra, ou a falta do vil metal, ou o hábito, ou as mazelas do microcosmo do cotidiano, e tudo o mais que cada um sabe nomear sem palavras, subtraem. E o sentido, a duras penas conquistado, vai pelo ralo, junto com a água do banho. Às vezes penso que a maçã do paraíso tem gravada nela a palavra “fim”. Faz parte do esquema, eu sei, faz parte do “game”. Mas a consciência do fim, seja representado pela morte ou pelas subtrações, parece que é o que rouba o sentido.
São apenas constatações. Sem pretensões. A palavra foi feita pra isso, pra ser escrita, ouvida, falada, lida, não necessariamente nessa mesma ordem. E a palavra “amor” é mais uma.Mas essa foto, no meu mural, me sinaliza que não, que não é só mais uma palavra, e que o passado, de gente como John e Yoko, acaba estampando uma parede de uma casa qualquer, no fim do fundo da América do Sul, porque não é afinal, caramba... só mais uma palavra.

9 de ago. de 2008

virtual virtuose

estabelecer por essas linhas flutuantes virtuais uma tentativa de conexão
lembrando alguma quase esquecida noção sobre recepção
SOS sem identificação, abuso desenfreado de sinais
eu, tu e eles, Os Outros, quem sabe assim, existamos mais

são para alguns pares de olhos que o hermético se torna legível
versos salvos de um abandono com data de validade, perecível
devagar, letras formam palavras, símbolos irremediáveis já estabelecidos
para os teus olhos, quem sabe, meus signos formem sentidos

e esta tela, por um instante, se torna um espelho de Alice
portal ambíguo pelo qual sempre se esperou que existisse
e esse instante, subjugado pela vontade, assume feição de eternidade
o mundo palpável se verga e esquece daquele prazo de validade

ah, se Alice me visse agora
transformar em eterna essa minha curta hora
se Alice pudesse ser eu, e eu Alice
duplaríamos em um roteiro, escrevendo sobre tudo que nunca se disse

14 de jul. de 2008

Uso-fruto temático

Hoje eu voltava do super com quatro sacolas. No cordão da minha calçada, estava sentado um menino. Ele vive "por aí": dorme às vezes na rua, ou em algum abrigo. Pede comida, zanza pela cidade. Tem uns olhos imensos e, acredite, ingênuos. Ele é tão bonito: tem aqueles cílios grossos que emolduram os olhos, algo meio cigano, meio catalão, e a íris não se diferencia da pupila, é tudo uma morna escuridão. Como eu presto atenção nesses detalhes? Respondo com uma frase de Jude Law em Closer: "because I'm a lunatic".
Sei, isso parece mais um daqueles textos melodramáticos, autocomplacentes, de quem se apieda e nada faz. Sim, eu me apiedo e nada faço, ou dar um prato de comida, uma banana, uma garrafinha de refri e dois reais é fazer alguma coisa? Fiquei com vergonha de mim. Fiquei com vergonha de morar num país assim, numa sociedade assim, fiquei com vergonha de gostar mais desse menino que já encontrei várias vezes do que do Caixa Baixa, outro menino que "vive por aí" e que já tem planos concretos de ser bandido quando crescer. Tá no olho. Qual dos dois é mais ingênuo? Quando eu perguntei pro Caixa Baixa o nome dele, ele se requebrou,lançou os dois indicadores estilo hip-hop-bandidagem, e disse, meu nome é Caixa Baixa, Zé Pequeno, Mané Galinha, parafraseando Cidade de Deus. Achei tão engraçado. Depois achei absurdo achar engraçado. Depois achei engraçado de novo. Daí misturou cinema, fantasia, personagem, tudo se imiscuindo na realidade drummondiana "eta vida besta, meu deus".
Depois, claro, entrei para dentro do meu mundo interior e seus pequenos-grandes problemas. As I said, I'm a lunatic.
Mas e então, penso, e pra jantar, o que o moleque-de-rua-mas-do-bem vai ter? Vou ficar,será, pensando nele? E todas as moedas que eu já dei, e que não aliviam essa culpa intrínseca? Não posso ficar pensando. E o sucedâneo de paz que se conquista, por vezes, à duríssimas penas, jogo pelo ralo assim, por causa de uns olhos emoldurados de cigano?
Tudo é mesmo uma grande encenação: eles são personagens, e, como o Caixa Baixa, personagens de personagens, quando a vida vira metalinguagem. Servem de escadas, coadjuvantes exemplares, para outros brilharem: são temas de campanha, são temas de novela, de contos, de manchetes de jornais e, claro, você já percebeu, estava mais que previsível: são temas de posts de uma escritora (?) sofrendo de sério bloqueio criativo nos últimos tempos.
Eu o aliviei com um prato de comida, uns trocados, uma banana, um refri, em troca, ele me deu um post. E é assim que a vida é.

8 de jun. de 2008

névoa neblina, brumas serrações

Londres é aqui.
Há pouco saí à rua e vi, envolvendo a lâmpada que ilumina meu caminho, uma bruma. Uma serração, termo bem gaúcho. Névoa. Neblina. Adoro todas essas palavras:bruma, névoa, neblina, serração. Tão aliteráveis, tão simbolistas. E sempre que por aqui, nesta simbólica terra dos pampas, acontece esse fenômeno, à reboque, claro, vem o mistério.
O mistério de existir. O mistério do tempo, do clima, do ar, que parece atemporal, que parece atravessar séculos e desembarcar aqui, numa noite de domingo de inverno.
E isso, que agora elaboro, me passou, enquanto entrava em casa de novo - e fez bem. Mesmo que compartimentalizada dentro de um meio urbano, com espaços delimitados, nichos demarcados e quase não tocando o chão de verdade com os pés, existe algo. Ainda existe um mistério. Uma bruma que encobre, uma névoa silenciosa, o mistério da natureza, que, mesmo esmagada, escondida, apertada em meio ao cimento, manda esses sinais, discretos, quase imperceptíveis.
A brumas também pairam aqui, no fim do fundo da América do Sul, a bruma lá (fog) e a bruma aqui (serração).
Londres é aqui.
E viva o Rio Grande do Sul.

19 de jan. de 2008

A curva do caminho

Uns dizem que a infância é a melhor fase da vida. "O menino é o pai do homem", e dele se arvora com direitos adquiridos. Direitos inerentes à função de pai. Se o menino é pai do homem, talvez fosse mais fácil criar uma idéia de Deus. ( Mas isso deve ser um capítulo à parte, como aquele conto de uma antologia qualquer que deixamos pra ler por último, porque o início estava desprovido daquelas setas fatais que já te atingem de primeira ao primeiro passar de olhos ).
Cruzando a curva da terceira década,ao olharmos pra trás, onde percebemos que o pai do homem nos acena alguns metros mais distante, sussurro onde o vento é mais capaz de transportar meus sons: pai, porque me abandonaste? E eu mesmo respondo, dois em um:perdoa-os, eles não sabem o que fazem. Perdoa a ti mesmo, habitante da curva do caminho. Perdoa este pai que lá no início, tábula rasa, não sabia da curva. Mais difícil, talvez, seja perdoar aqueles que disso sabiam e que te forjaram uma paternidade que depois te mostraria ser tão solitária.Não é para ser hermético, então esmiucemos ( alguns verbos no português ficam realmente freaks em sua conjugação). Para quem teve uma educação católica, em nome da obrigação que fosse, a noção de pecado faz do pai-menino uma espécie de ferida-aberta-para-sempre. E logo naquela fase tenra, idílica, a fase de forjar a paternidade. Logo ali a ferida se abre, em nome de algumas leis atribuídas ao divino e que foram criadas séculos antes que o teu átomo primevo existisse. Semanas e semanas de martírio antes da primeira confissão - de repente, aquilo que o corpo fazia instintivamente, tinha um nome: pecado. O pai do homem, o pai-menino amadurece de sopetão, acreditando, sem escape, de que eles, Os Outros, sabem o que fazem.
Pai-menino, tábula-rasa, descobriu lá atrás que o pecado é o pai, tão velho, da culpa. Observo meu pai me acenando, lá atrás: quero ensinar a essa criança que tudo é bem mais relativo do que parece. Quero ensinar ao meu pai-menino que eles, Os Outros, nem sempre sabem o que fazem. Que aqueles escrafunchos na ferida recém-aberta devem ser responsabilidade daquele que empunha a agulha. De que a palavra "culpa" não deve constar tão cedo no seu dicionário. Que outras palavras que eu sei agora ( que ele saberá depois), aqui, na curva do caminho, das quais lanço mão, podem ter um significado muito mais limpo, muito mais livre.Meu pai-menino não é um menor abandonado - faço dele um símbolo de alguma resistência ingênua, ainda utópica, que teima, depois de tantos muros ruírem, em existir.
A operação de salvamento do pai-menino urge ser feita aqui, agora, já, nesta curva do caminho.

17 de set. de 2007

a estação

pego no sono, dentro do trem
vou parar na última estação
até o cobrador sumiu, não há ninguém
redemoinho de folhas pelo chão

o vento joga papéis na minha cara
tem um com mensagens cifradas
mas um código decifro, coração dispara
tudo muito claro nas letras embaralhadas

sento por ali, é um vento de temporal
decoro a mensagens enviadas
antes que a água da chuva, proposital
deixe todas as letras apagadas

não há pressa de ir embora
não temo mais esse lugar ermo
sabia que um dia ia chegar a hora
antes que pusesse tudo à termo

de longe, apita o trem
levanto, o vento pára, ele vem me buscar
embarco, ainda não há ninguém
perdi, finalmente, o medo
de voltar

14 de set. de 2007

the collectors

tem gente colecionando certezas
eu já colecionei figurinha
papel de carta, cartão telefônico
mônica e tampinha

no limbo, em algum inescrutável
reino além
minhas coleções se perderam,
para todo o sempre, amém

agora, veja só como já parte o trem
uma por uma
as certezas para lá
se dirigem
também

6 de set. de 2007

Volver

Vou ver Volver. Amanhã é dia de acordar cedo, diz o lado caxias da consciência. Mas...alguma coisa, do outro lado do cérebro, naquela região tão inexplorada, te diz: vai que rende.
Então tá, meia volta, volver. Vou ver Volver ( perdoem o trocadilho infame, mas é irresistível, aguardem os próximos).
E o filme começa, sinto certo temor, afinal, Fale com Ela ainda repercutia de várias maneiras. Pode um artista se superar?
Sim, pode. Mas eu ouso dizer que neste filme Almodóvar não se supera. Talvez a obra máxima tenha sido Fale com Ela? A que resumiu tudo, até no título. Falem com a gente, rapazes, esse é o recado de um cara que saca muito as mulheres. Ele não saca de mulher. Ele saca da mulher.
E, depois de Fale com Ela, ele vem com Volver, que poderia ter um subtítulo ( graças a Deus que dessa vez não puseram) como "Elas Falam".
Em Volver, a mulher é alpha. Ela supera o seu próprio rótulo de "sexo frágil" e segura todas. Com paciência, com determinação. Ela acolhe seu próprio destino e paga o seu preço de sofrimento. E ainda tem tempo de carregar na maquiagem, usar roupas coloridas e dar muita risada.
Os personagens ( vou usar o feminino que na literatura a cerca da dramaturgia se usa, mas muito mais porque estamos a falar de poder e glória ), digo, as personagens tem histórias de vida como eu, como tu, como qualquer um tem,seja em que confim perdido do planeta. Beijam-se com real afeição, entre amigas - existe uma irmanação, acima da competição. Um sentido realmente prático de quebrar galhos, que é inerente ao feminino, emerge no melhor sentido de "uma mão lava a outra". Reclamando, explodindo, virando a cara, como é na vida dos mortais. Quando Penélope Cruz chora, sua maquiagem fica borrada e ela tem o rosto inchado. Mas a vida tem que continuar: amanhã há que se levantar cedo. E ninguém - só mesmo em Hollywood - consegue levantar com o baby-liss intacto na manhã seguinte.
Tudo isso pra dizer que: Volver é tão seu título como há muito tempo não se via. As personagens se dão o direito de voltar atrás. Se dão o direito de voltar a vida. A mãe ressuscita - a morte, na "película", é um disfarce que esconde decisões drásticas. As personagens se dão até, o direito de matar, em nome do que é de mais instintivo na sua condição humana. E esse direito bebe na fonte dessa coisa tão substimada, tão deturpada por estranhas representantes do nosso sexo, tão escondida em certos interiores, que é: o poder. e sua reação, a glória.
E esse poder, que muitas vezes vem seguido de glórias delicadas, escondidas, quase invisíveis, é como um fio condutor que passa de geração para geração. Mas como boas mulheres, carregam também a marca da tragédia. Que parece que vem pelo sangue ( coisa que tem participação no filme, o vermelho maior, o vermelho original ) - o que acontece com a mãe, repete-se com a filha, e se mata, e se morre em vida, e se suporta, em nome de algo muito maior. A espera é inerente a condição feminina, mas o poder, o poder quando escondido e reavivado, transforma a espera em ação. E a glória, cada uma escolha de que maneira ela vai se dar. De alguma forma, ela vem, tão camuflada que nem sempre se percebe. Hay que estar despierta.
As flores, vermelhas, se abrem nos créditos finais - manifestações de algo que precisava nascer. A beleza das personagens se traduz nas rugas, nos sapatos baratos, na pele não tão boa, nas marcas de uma noite ruim. Se traduz nas coisas que se cala e nos gestos silenciosos.
Muy bien hecho, señor. Almodóvar nos fala. Nos celebra. Nos coloca de novo no nosso posto de deusas, de verdadeiras sacerdotizas espalhadas pelas ruas de uma cidade. Mas, pensei: de uma forma muito humana, muito verdadeira, muito mortal. Poder e glória reside também na efemeridade da flor - estejamos acordadas no momento de se abrir. Hay que estar despierta.
Meia volta, Volver. Vá ver, não concorde comigo, sinta-se teleguiada (o)-atenção, aqui neste texto o (o) vem depois do a - por minhas impressões, não importa.
Só peço: escute. Ele fala com a gente. Ele fala com elas. Ele deixa elas falarem.

wonderland

não era apenas um espelho
como Alice, depois vi que não

como Alice, segui o coelho
fiz de tudo, a minha projeção

carreguei nas cores surreais
do caminho, fazendo tela
da paisagem, cenário
virei as costas para a fantasia
mais singela

afundando em poças de tinta
com ou sem companhia
deixo a cargo da mente
vejo o que ela pinta

e nem sempre importa tanto assim

que se minta

3 de set. de 2007

segunda

segunda-feira, havia quase esquecido
instinto homicida
ponho a música no ouvido
e marcho com a falange
fique longe da minha vida